Calculadora CLT x PJ
Descubra quanto sobra no seu bolso em cada regime no horizonte de 12 meses e quanto uma proposta PJ precisa pagar para equivaler ao seu salário na carteira.
Metodologia
Como calculamos
Passo 1: Soma do CLT no ano
12 salários menos INSS e Imposto de Renda pelas tabelas de 2026, mais 13º líquido, um terço de férias, FGTS, benefícios e PLR, menos os descontos em folha informados.
Passo 2: Soma do PJ no ano
12 faturamentos menos a alíquota de impostos que você informou e menos os custos do mês, mais os benefícios pagos pelo contratante e o bônus do ano.
Passo 3: PJ equivalente
Procuramos o faturamento mensal que faz o total PJ do ano empatar com o total CLT do ano, com os mesmos custos e benefícios informados.
Premissas desta simulação
- A comparação é no horizonte de 12 meses, porque 13º, férias e FGTS não aparecem no mês a mês.
- Tabelas de INSS, IRPF e do redutor do Imposto de Renda do ano-base 2026.
- Os impostos do PJ usam a alíquota única informada por você. A calculadora não assume regime tributário, Anexo do Simples ou pró-labore no seu lugar.
- O um terço de férias é considerado líquido apenas de INSS pela alíquota marginal do salário, sem IRRF. É uma simplificação do modelo.
- A multa de 40% do FGTS na rescisão sem justa causa está fora da conta.
- O resultado é uma estimativa e não substitui análise individual do seu caso por um contador.
CLT ou PJ: entenda antes de decidir
Receber uma proposta PJ com valor maior que o salário atual é comum, e comparar os dois números direto é o erro mais frequente. O contrato CLT inclui parcelas que não caem na conta todo mês, e o contrato PJ traz custos que o empregado nunca viu de perto. Abaixo explicamos como cada regime funciona, o que muda na prática e quais pontos merecem atenção antes de assinar.
O que é o regime CLT
CLT é a Consolidação das Leis do Trabalho, o conjunto de regras que organiza o emprego com carteira assinada no Brasil. Quem é contratado nesse regime tem vínculo de emprego: existe um empregador que dirige a prestação do serviço, paga salário e assume os encargos do contrato.
O que entra no pacote do empregado
- Salário mensal, com piso nacional de R$ 1.621,00 em 2026 e reajustes conforme a convenção coletiva da categoria.
- 13º salário, equivalente a um salário por ano, pago normalmente em duas parcelas.
- Férias de 30 dias remuneradas, com adicional constitucional de um terço.
- FGTS: depósito mensal de 8% da remuneração feito pela empresa, em conta vinculada ao trabalhador.
- Proteções da rescisão: aviso prévio, multa do FGTS na demissão sem justa causa e acesso ao seguro-desemprego.
- Previdência automática: a contribuição ao INSS é descontada na folha e dá acesso a auxílio por incapacidade, salário-maternidade e aposentadoria.
- Benefícios do contrato, como vale alimentação, plano de saúde e transporte, quando previstos pela empresa ou pela convenção coletiva.
O que sai do salário bruto
Dois descontos obrigatórios reduzem o valor que cai na conta. O INSS é progressivo: em 2026 as alíquotas vão de 7,5% a 14%, e cada percentual incide apenas sobre a parcela do salário dentro da sua faixa, até o teto do salário de contribuição de R$ 8.475,55. O Imposto de Renda retido na fonte também é progressivo, calculado depois das deduções permitidas, e em 2026 conta com um redutor que zera o imposto para rendimentos tributáveis de até R$ 5.000,00 por mês, diminuindo gradualmente até R$ 7.350,00.
O que é trabalhar como PJ
Trabalhar como PJ significa abrir uma pessoa jurídica, com CNPJ próprio, e prestar serviço por contrato civil. Não há empregado nem empregador: há duas empresas negociando escopo, prazo e preço. O profissional passa a ser sócio administrador do próprio negócio, emite nota fiscal e responde pelas obrigações dessa empresa.
O que a PJ assume
- Impostos da empresa: a alíquota total depende do regime tributário escolhido, da atividade e do faturamento. No Simples Nacional ela é recolhida em guia única; em outros regimes, em tributos separados.
- Pró-labore: a remuneração do sócio pelo trabalho, sobre a qual incidem INSS e Imposto de Renda da pessoa física.
- Contabilidade e obrigações acessórias: apuração mensal, declarações, folha do pró-labore e guarda de documentos, com prazos e multas próprios.
- Estrutura de trabalho: equipamento, software, internet, deslocamento e espaço de trabalho normalmente ficam por conta do prestador.
- Reservas: férias, meses de faturamento menor, afastamento por doença e previdência dependem de planejamento próprio.
O que a PJ ganha em troca
Além do valor normalmente mais alto por hora trabalhada, há mais autonomia na forma de executar o serviço, possibilidade de atender vários clientes e liberdade para organizar a própria rotina. Para muita gente a conta fecha, mas ela fecha com números, não com impressão: é preciso somar os impostos, os custos fixos e as reservas antes de comparar com o salário líquido do CLT.
CLT x PJ: as diferenças práticas
| Tema | CLT | PJ |
|---|---|---|
| Vínculo | Contrato de trabalho registrado na carteira, com as proteções da CLT. | Contrato de prestação de serviços entre empresas, regido pelo Código Civil. |
| 13º salário | Direito garantido: um salário extra por ano. | Não existe. Só entra se o contrato previr bônus. |
| Férias | 30 dias por ano remunerados, com adicional de um terço. | Parar de trabalhar significa parar de faturar. A reserva sai do próprio bolso. |
| FGTS | Depósito mensal de 8% da remuneração pela empresa. | Não existe. |
| INSS | Descontado na folha, de forma progressiva, até o teto do salário de contribuição. | Recolhido pelo sócio sobre o pró-labore, por iniciativa própria. |
| Imposto de Renda | Retido na fonte pela tabela progressiva mensal. | Incide sobre o faturamento da empresa conforme o regime, mais o IR do pró-labore. |
| Rescisão | Aviso prévio, multa do FGTS e seguro-desemprego na demissão sem justa causa. | Encerra conforme o contrato, em geral apenas com aviso de distrato. |
| Custos fixos | Nenhum: a empresa paga encargos, benefícios e estrutura. | Contador, impostos da empresa, equipamentos e benefícios ficam com o prestador. |
| Afastamento por doença | Primeiros 15 dias pagos pela empresa, depois auxílio do INSS. | Depende de contribuição própria ao INSS ou de seguro particular. |
Os custos que aparecem só depois da migração
Na hora de comparar as duas propostas, a lista abaixo é a que costuma ser esquecida. Todos esses itens são campos da calculadora porque mudam o resultado de forma relevante.
- Honorário do contador, mensal e recorrente.
- Reserva do mês de férias: para parar 30 dias sem faturar, guarde um doze avos do faturamento por mês.
- INSS e taxas incidentes sobre o pró-labore.
- Plano de saúde e odontológico contratados por conta própria, sem a negociação coletiva da empresa.
- Transporte, combustível e estacionamento que antes eram benefício.
- Software, equipamento e a sua reposição.
- Meses sem contrato entre um projeto e outro.
Como chegar ao valor justo da proposta PJ
O caminho é somar tudo o que o CLT entrega no ano, incluindo 13º, um terço de férias e FGTS, e procurar o faturamento mensal que, depois dos impostos da empresa e dos custos assumidos, deixe a mesma sobra. Esse é o ponto de equilíbrio, e é a partir dele que a negociação começa: abaixo disso, a proposta PJ paga menos do que o contrato atual, mesmo com um número maior na frente.
Vale lembrar que o ponto de equilíbrio é só a parte financeira. Estabilidade, acesso a crédito, benefícios da família e previdência também pesam na decisão, e não aparecem em nenhuma planilha.
Quando a migração para PJ tende a valer a pena
- Quando o valor proposto cobre com folga o ponto de equilíbrio calculado.
- Quando há mais de um cliente possível, o que reduz a dependência de um único contrato.
- Quando a atividade permite uma alíquota efetiva baixa no regime tributário adequado.
- Quando existe reserva financeira para férias, imprevistos e meses de faturamento menor.
E quando merece cautela
- Quando a rotina continuaria idêntica à de um empregado, com horário e subordinação.
- Quando a diferença de valor é pequena e desaparece depois dos impostos e custos.
- Quando há necessidade de estabilidade no curto prazo, como financiamento em andamento.
- Quando a contratação acontece sem contrato escrito claro sobre escopo, prazo e reajuste.
Perguntas frequentes sobre CLT e PJ
PJ sempre ganha mais que CLT?
Não. O valor da nota fiscal costuma ser maior que o salário, mas o pacote CLT inclui 13º, um terço de férias, FGTS e benefícios que não aparecem no mês a mês. Por isso a comparação precisa ser feita no ano inteiro, descontando impostos e custos da empresa, como a calculadora acima faz.
Quanto a proposta PJ precisa pagar para empatar com o meu salário?
Depende da sua alíquota de impostos e dos custos que você passa a assumir. A calculadora resolve exatamente esse ponto: ela procura o faturamento mensal que faz o total do ano como PJ empatar com o total do ano como CLT e mostra quanto isso representa acima do salário bruto.
Qual regime tributário usar na PJ?
Varia com a atividade, o faturamento e a folha de pagamento da empresa. A calculadora não escolhe regime no seu lugar: ela pede a alíquota total que você já conhece ou que o seu contador informou, justamente para não fixar uma premissa que precisa ser verificada caso a caso.
PJ precisa de contador?
Na prática, sim. Emissão de nota, apuração e recolhimento de impostos, folha de pró-labore e obrigações acessórias têm prazo e multa. O custo do contador é um dos campos da calculadora porque ele é despesa recorrente da PJ.
Como o PJ se aposenta?
Contribuindo ao INSS, em geral sobre o pró-labore. Diferente do CLT, em que o desconto é automático na folha, no PJ a contribuição depende de iniciativa do próprio sócio.
Trabalhar como PJ para um único cliente é permitido?
Prestar serviço a um só cliente não é proibido, mas o que define relação de emprego é a presença conjunta de pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação (arts. 2º e 3º da CLT). Quando esses elementos existem, o contrato de PJ pode ser questionado na Justiça do Trabalho. Essa análise é jurídica e depende do caso concreto.
A calculadora considera a multa de 40% do FGTS?
Não. A multa só ocorre na demissão sem justa causa, e incluí-la em toda simulação inflaria o lado CLT em qualquer cenário. O FGTS depositado mês a mês está na conta; a multa rescisória, não.
O resultado serve para decidir?
Serve para dimensionar a diferença e negociar com informação. É uma estimativa com tabelas do ano-base 2026 e não substitui a análise individual do seu contrato, do seu regime tributário e dos seus custos reais.
Aviso sobre os números desta página
As tabelas de INSS, de Imposto de Renda e do redutor usadas na calculadora têm ano-base 2026 e vêm de fonte oficial. Ainda assim, o resultado é uma estimativa: ele não considera particularidades como adicionais de insalubridade, horas extras habituais, convenção coletiva específica, dependentes com despesas dedutíveis ou o regime tributário exato da sua empresa. Para decidir, fale com um contador. Nosso time atende em São José do Rio Preto e em todo o Brasil, de forma online: veja os serviços da Agile ou consulte a Política de Privacidade para saber como tratamos seus dados.
